quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A REVOLUÇÃO DOS IDIOTAS

"Toda unanimidade é burra"
 “Estamos vivendo a época das passeatas estudantis. Tudo é um pretexto para desfiles. Se há uma greve de barbeiros, de alfaiates, de veterinários, de obstetras, logo a juventude promove uma marcha.” 
Há algo mais inútil do que promover uma passeata contra a corrupção sem propor uma solução concreta? É como ser contra a injustiça, mas nunca estabelecer o que é justo. Assim, até os injustos desfilam, e com prazer, já que não serão reconhecidos em meio a multidão de narizes de palhaço. Hoje ou trinta, quarenta anos atrás, é o que basta para parecer bom, bonito e verdadeiro: se dizer revoltado e desfilar de nariz de palhaço. Prontamente, Nelson diria: “Realmente, há muita indignação. Não se dá um passo sem esbarrar, sem tropeçar nos indignados de ambos os sexos.”
Todo artista tem a dimensão profética: é capaz de dar atualidade e presença tanto ao passado como ao futuro. Nelson era um profeta no sentido em que, com sua espantosa vidência, olhava o óbvio e dizia: – “ali está o óbvio.” Para os outros, o óbvio é sempre invisível. Ele percebeu que o grande acontecimento do século XX foi justamente a socialização do idiota. Pela primeira vez o idiota se organizava, formava massas, unanimidades, maiorias, assembléias, etc.. Antigamente, os idiotas sabiam que eram idiotas, mas diante de sua superioridade numérica, passaram a exigir o direito de opinar e de ocupar cargos profissionais importantes (até o da presidência). Há os que fingem de idiotas para sobreviver. Para Nelson, um mistério nada misterioso – ou o sujeito bajula os idiotas ou não terá onde cair morto: “Há uma debilidade mental difusa, volatizada, atmosférica[…]Todos agem e reagem como imbecis. Não que o sejam, absolutamente[…]Mas num mundo de débeis mentais, temos de imitá-los. Não sei se me entendem. Mas para viver, para sobreviver, para coexistir com os demais, o sujeito precisa ir ao fundo do quintal e lá enterrar todo o seu íntimo tesouro. Hei de escrever, um dia, sobre a nova classe dos falsos cretinos.
“Ao meu ver, nunca optamos tão pouco. Somos pré-fabricados. É difícil para o homem moderno ousar um movimento próprio. Nossa vida é a soma de ideias feitas, de frases feitas, de sentimentos feitos, de atos feitos, de ódios feitos, de angústia feita.”
“A partir do momento em que o homem se tornou um ser histórico, o erotismo passou a sofrer uns tantos ou quantos constrangimentos, limites, etc., etc.[…]Se abolirmos tais constrangimentos, os tais limites, que disciplinam o erotismo, acontecerá o diabo[…]O que é o crime sexual senão o erotismo em sua plena liberdade e irresponsabilidade?” 
“O homem se mata por amor e não por sexo.” Há, então, uma grande diferença entre amor e sexo. Para ele, não havia nada mais vil do que o desejo sem o amor,  justamente porque o mero desejo sexual apaga aquilo que nos separa dos animais: “No dia em que o sujeito perder a infinita complexidade do amor, cairá automaticamente de quatro, para sempre. Sexo como tal, e estritamente sexo, vale para os gatos de telhado e os vira-latas de portão. Ao passo que no homem o sexo é amor. Envergonha-me estar repetindo o óbvio. O homem começou a própria desumanização quando separou o sexo do amor.” Se é possível extrair alguma filosofia da obra de Nelson Rodrigues, ela está não só no amor como essência do ser humano mas também aquilo que provê sentido à existência: “Não há amor que não seja eterno. E os que acabam? Os que acabam não têm nada a ver com amor[…]Não importa que se ame errado: tampouco importa que a vida seja uma flora de equívocos. A simples esperança do amor eterno impede que o homem apodreça à nossa vista. E a mulher falhada, frustrada, morre esperando o amor que não veio.”
Gilberto Freyre escreveu que o escritor-jornalista ou o jornalista-escritor é o que sobrevive ao jornal: ao momento jornalístico. As crônicas de Nelson Rodrigues não são datadas, citam sim figuras e acontecimentos da época, mas sobrevivem ao teste do tempo não só por seu estilo vigoroso e memorável, mas porque tratam moralmente do humano – de como somos feitos e de como continuaremos a ser (se não nos desvirtuarmos por completo).

CAOS ECONÔMICO EM 2014-2018

Enquanto todos estão preocupados com o cenário político-econômico interno, na contramão, pai walace alerta que o problema maior está no exterior e a tragédia está na conjunção desses dois cenários. A inflação brasileira sempre foi equilibrada via desvalorização do dólar através da taxa de juros, ou seja, aumentava-se os juros, vinha uma enxurrada de dólares para o Brasil, ele se desvalorizava, e o mercado passava a importar os produtos que estavam caros aqui, forçando o equilíbrio dos preços. O que está ocorrendo agora é que, além do caos interno, há a crise chinesa, principal parceiro comercial do Brasil, que deve diminuir seu ritmo de crescimento drasticamente, e portanto suas importações. Ao lado disso os EUA devem aumentar sua taxa de juros até dezembro, e é por isso que o dólar está disparando, mesmo tendo entrado mais dólares do que saiu em em agosto, por exemplo. Quando os EUA anunciarem o aumento, aí sim, haverá uma saída maior de dólares e o Brasil terá de aumentar mais ainda sua taxa de juros para conter a dispara ou queimar suas reservas vendendo dólares no mercado. 

Pelo lado das grandes empresas exportadoras brasileiras(petrobras, vale, usiminas, csn, gerdau, etc.), a princípio pode-se achar que o dólar alto seria bom para elas, porém devido ao passado recente elas se complicaram . O dólar esteve baixo por dez anos, essas empresas perderam clientes e competitividade. Para poderem se sustentarem, aproveitaram o dólar baixo para se endividarem. Porém o dólar, que esteve em 1,50 está a 4 e elas não pagaram suas dívidas, que explodiram com a disparada do dólar. Para piorar o preço das commodities nunca esteve tão baixo. A tonelada de  minério de ferro que custava U$ 187 em 2011, está a 48. O barril de petróleo que chegou a U$150, está a 46.  Todas elas estão com o mais baixo valor de mercado em 10 anos, abaixo da crise do subprime (2008).

Pelo lado do governo, ele terá de aumentar muito mais os juros do que o previsto, o que significa mais recessão num cenário já horrível: mais desemprego, maior queda do PIB por mais tempo, no mínimo até 2017/2018. E se mesmo assim, se o dólar não baixar, a inflação continuará alta (estagflação). Se o PMDB assumir de vez o poder, aí é Anos Sarney/Collor de volta...