Ecológico? Ecológicos são aqueles que nunca jogaram um grama de dióxido de carbono na atmosfera, porque nunca tiveram carro. Ecológicos são aqueles, cujos móveis de casa são de compensados ou mdf, feitos de pó de serra e cola prensados, e nunca viram um móvel de madeira da amazônia. Ecológicos são aqueles que nunca financiaram o aumento das pastagens nem as carvoarias, ao comprar carne de boi e carvão, porque não têem dinheiro para fazer churrasco. Ecológico são aqueles que consomem quase nada de energia elétrica, porque tem poucos eletrodomésticos. Verde é o pobrão brasileiro e africano que anda verde de fome, pouco consome e nada polui e por isso mereceria receber o BOLSA ECOLOGIA ou vender sua cota de carbono e receber em "verdinhas". São eles os únicos que podem dar lição ao mundo do que é sobrevivência sustentável. E não essas ongs americanas e japonesas e esses "green-pircings" europeus. Vão dar lição pras negas deles, quer dizer pras loiras deles... |
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
SER ECOLÓGICO
OS SEM-FUTURO E O NOSSO
Nos Estados Unidos branco é branco e preto é preto. Preto não entra em casa de branco e vice-versa. Então, os pretos puderam ver a clareza dessa situação, cobraram seus direitos e hoje um preto pobre pode se tornar rico lá. No Brasil, o branco sorri para o preto e vice-versa e os pretos podem entrar na casa dos brancos pela porta da cozinha, ou nos prédios para limparem e recolherem o lixo. Todos querem uma empregada ou uma puta mulatinha, mas ninguém quer ter um negro como cirurgião ou uma negra para casar. Um preto pobre não se torna rico no Brasil, a não ser por exceções. É vergonhoso empregarmos domésticas e pagar-lhes uma miséria. Ou paguemos um salário digno, ou nós mesmo vamos limpar nossas latrinas e mandar a negrinha lutar pelos seus direitos. Não adianta dar bolsa-esmola, bolsa-escola, se a escola não presta. Ou disponibilizamos uma escola de qualidade para essa gente, ou do contrário, estamos colocando uma arma na mão deles e mandando-os assaltar. E a questão não é o dinheiro. Dinheiro não é nada, mas dignidade é tudo. Maquiamos os nossos negros com o pó de arroz da falsa democracia racial brasileira, como as sinhazinhas faziam com as escravas; o futebol fazia com os jogadores negros no início do século; e hoje fazemos com a nossa realidade. Colocamos ternos nos porteiros, seguranças e até engraxates. Limpamos as áreas nobres da cidade dos mendigos, trombadinhas e usuários de crack, e os confinamos nas favelas. Tudo bem... Hoje não vão bater no vidro do seu carro pedindo esmola, pois você não pode vê-los, pode cruzar os braços e lavar as mãos. Mas eles existem, são muitos, vão crescer e amanhã podem arrombar o vidro do seu carro, a porta da sua casa, a vagina da sua filha ou a sua cabeça. Portanto, ou façamos alguma coisa agora ou o futuro deles estará condenado e o nosso, por tabela, agredido. Como tenho certeza de que ninguém fará nada, só queria concluir que o futuro não será muito diferente de hoje ou um pouco pior... |
70 ANOS DO JOVEM JOHN
Não me perguntem como, mas fiquei sabendo que John Lennon fez 70 anos outro dia. Não sei se saiu no jornalismo brasileiro alguma reportagem, porque não acompanho muito o jornalismo, simplesmente porque não existe jornalismo sério no Brasil, e sim jornais e revistas humorísticos. E só não percebe isso quem não tem senso de humor, senso crítico, bom senso, ou qualquer outro tipo de senso... Mas não é disso que eu queria falar...
A primeira vez que ouvi falar em John Lennon foi no dia em que ele morreu. Foi em 80 e eu tinha sete anos. Lembro que um primo de uns vinte anos entrou pela cozinha e de olhos arregalados deu a notícia à minha mãe, que também deve ter arregalados os olhos.
Mas como eu posso me lembrar disso? Eu não morava em Nova Iorque, ao contrário, morava em uma pequena e pacata cidadezinha do Vale do Jequitinhonha.
Bem, eu devo me lembrar porque aquela notícia deve ter sido um alvoroço mesmo entre os jovens provincianos da minha cidade. John Lennon era o cara... Tinha sido líder de duas gerações de jovens (60 e 70) e prometia ainda ser “O Jovem” dos anos 80, mesmo na casa dos 40.
A segunda vez que Lennon chamou minha atenção foi quando ouvi God. Eu tinha 18 anos e sabia pouquíssimas palavras em inglês, mas eu sabia o que significava “I dont believe”. E fiquei escutando aquele cara ao piano dizendo: Eu não acredito em Ritlar(Hitler), em Disus (Jesus), Kennedy, Elvis, Zimmerman (que vim a saber depois ser Bob Dilan), Beatles e mais uns caras que eu não sabia quem eram.
Pra mim aquilo foi um choque: Como um cara que todo mundo dizia ser legal podia não acreditar em Deus. Tentei achar uma solução para aquilo e conciliar aquele conflito em mim. Então fiz uma versão para a música, mesmo sem saber inglês.
Bom, God e “Ai dont bilive” tavam garantido, e o resto foi por aproximação da sonoridade das palavras. Assim, “God is a concept” virou “Deus não encontrei”, “By which we measure” virou “em nenhuma igreja”; “Our pain” virou “ Oh, eu sei”. “I'll say it again” virou “não creia e veja”. “I don't believe in magic”, ironicamente converteu-se em “Eu não creio em Imagine” (a canção mais famosa de Lennon). “I don't believe in Bible”, até que ficou parecida pois eu entendia que ele cantava “Eu não creio em papas”. Aí substituí alguns como Kennedy por similares nacionais e foi indo. “...Gita” virou “Eu não creio em guitarras” e como era 1990, sobrou para Collor e “Eu não creio na Globo” e é claro, para o próprio coitado do “Eu não creio em Lennon”.
“I just believe in me Yoko and me” virou “Eu só acredito em você e em mim”. And that's reality, em “você que está aqui”. Pois é, “The dream is over” virou “Deus morreu”; “Yesterday” em “Ontem às seis”. E:
“I was the dreamweaver,
But now I'm reborn.
I was the walrus,
But now I'm John.
And so dear friends,
You just have to carry on
The dream is over.”
But now I'm reborn.
I was the walrus,
But now I'm John.
And so dear friends,
You just have to carry on
The dream is over.”
Virou:
“Estamos sós na terra
e não existe céu.
Estamos sós na terra
e Deus morreu.
Vem, me dê a sua mão
porque somos irmãos
e Deus morreu.”
Enfim, foi assim que consegui conciliar as coisas na minha cabecinha de adolescente, pois percebi que aquela canção era um canto de solidariedade e consideração a quem está próximo. Entendi que Lennon queria dizer: “Escute meu chapa, deixe os ídolos, os famosos, as teorias, as coisas invisíveis, esotéricas, ideológicas e fantasiosas de lado, acredite e dê valor quem está na sua frente e é de carne e osso como você. Estamos no mesmo barco, e expostos sob a mesma tragédia da velhice e da morte, e daqui a alguns anos todos teremos naufragado e estaremos submersos nas águas do tempo. Vamos seguir o mesmo caminho de mãos dadas.” O Deus que ele criticava era o Deus que isolava, alienava e separava as pessoas.
Depois peguei aquela versão e tentei que o único amigo que sabia tocar violão, tocasse aquilo pra gente cantar. Ele não foi nada solidário... O cara achava que Lennon era o própria capeta e aquilo era coisa do Demo, ou seja, o cara era fanático religioso e a partir dali só tocaria para “a glória do senhor”. E acabou seguindo essa carreira mesmo... O que eu não condeno, pois pelo menos ele está fazendo algo em que acredita, por um ideal e não para encher o rabo de dinheiro. Mas o fato é que nossa parceria morreu prematura... Mas pelo menos eu tentei ser John Lennon...
Saindo da minha relação particular com o ex-Beatle, o motivo de eu estar escrevendo essas coisas é porque considero a morte dele um divisor de águas para a juventude. No final da década de 70 já havia um movimento forte, natural ou não, de se despolitizar e desmobilizar a juventude. Era os Tempos da Brilhantina nos Embalos de Sábado à Noite nas discotecas. Talvez todo mundo já estivesse de saco cheio de política e ativismo.
Mas Lennon era um chato e resistia. Parecia querer ensinar o que era certo e errado, como viver, e até como fazer amor e amar. Tudo bem, até 73 tinha a Guerra do Vietnã e depois Lennon sofreu perseguição do governo Nixon e do FBI durante quatro anos. Queriam expulsá-lo dos Estados Unidos de qualquer jeito. O cara era um mala e pregava insistentemente a paz num país que tinha obsessão por matar... Lennon venceu o processo contra a deportação e Nixon renunciou naquele famoso escândalo de Watergate. Mas o ex-Beatle continuava sua pregação insistente de “Paz e Amor” já no final da década de 70, quando já nem existiam mais hippies, a juventude estava em outra e só queria curtir o som dos Bee-Gees, Abba, etc.
Mas Lennon, com o seu uniforme de soldado furado de balas, tinha um exército de seguidores: O cara organizava um protesto e arrastava multidões atrás de si.
Aí uma noite, como cantou Beto Guedes “uma canalha matou um rei em menos de um segundo”. Um filhote do TOCAM (trastorno obsessivo compulsivo americano em matar) matou o rei. O assassino americano disse que matou porque Lennon era um hipócrita. Talvez tivesse um pouco de razão: Lennon pregava a paz entre os homens e não conseguia fazer as pazes com Paul Mcartney. Mas não precisava matar o cara, né ô...Todo mundo é um pouco hipócrita.
De lá pra cá, que eu saiba, ninguém tentou ser John Lennon. O movimento hippie foi trocado pelo movimento yuppie, que para mim é a busca do dinheiro por si, em si e para si. Alguns dizem que se Lennon estivesse vivo teria virado Paul Mcartney: Fazendo shows com Michael Jackson, enchendo a burra de grana, casando com modelos de passarela trinta anos mais jovem.
Acho que não, porque os problemas contra os quais Lennon vociferava não foram resolvidos. Ao contrário, fizeram guerras mais absurdas e mais injusticáveis que a do Vietnã... Papa Bush inventou uma, Baby Bush inventou outra, plantando inclusive provas falsas para começar a guerra. Por muito menos Nixon renunciou. Bush foi reeleito... E os israelenses pararam de responder com bombas os ataques de pedras dos palestinos naquele velho campo de concentração? E a China, esse monstro criado e alimentado pelo consumismo mundial, com sua milenar tradição em, de uma hora pra outra, tentar dominar o planeta à força? E o holocausto africano? E a fome, as injustiças sociais foram resolvidas? Não, até se agravaram em certos aspectos. A paz e o amor reinam no mundo? Então porque o movimento está parado?
A juventude trocou os grandes ideais por pequenos projetos egocêntricos. Antes idealizavam um mundo bonito, cheio de amor e paz. Hoje idealizam um apartamento bonito, cheio de sexo e eletroeletrônicos, ganhando o máximo com o mínimo de esforço possível. Nos tornamos mais indiferentes, egoístas, desonestos, cretinos, enfim.
E quem pensa que o chato do Lennon só falava de problemas gerais, políticos e externos, engana-se. Acho até que a maioria das letras do cara, falava de conflitos individuais, experiências vividas, dramas pessoais, relações amorosas, coisas afetas a qualquer ser-humano. Muito antes da enxurrada de livros de auto-ajuda dos anos 90 pra frente, ele já dizia: “Ninguém pode te ajudar, ninguém pode te curar, a não ser você mesmo”. Na canção “Comentário a Respeito de John”, o nosso Belchior homenageia aquele John: “Saia do meu caminho, eu prefiro andar sozinho, deixem que eu decida a minha vida. Não preciso que me digam de que lado nasce o sol, porque bate lá meu coração. “SONHO” escrevo em letras grandes de novo pelos muros do país... John, o tempo andou mexendo com a gente, sim...”.
E como mexeu. A verdade é que o último SONHO que alguém escreveu em um muro do país, já se apagou há muito tempo, mas aquele muro está cada vez mais firme e alto, nos separando...
Como eu disse, Lennon conseguia juntar milhares de jovens em um protesto. Hoje os amigos mal conseguem se juntar em três ou quatro para tomar um chope.A juventude ficou órfã de John Lennon em 1980. Por que Deus morreu, por que o sonho acabou? Não.
Porque o jovem morreu.
Hoje se passa da infância para a idade adulta sem sermos jovens. Hoje qualquer garoto de 18 anos “tá em casa, guardado por Deus contando seus metais”, tentando ganhar o máximo de dinheiro com o menor esforço possível para comprar carros descartáveis, sexo descartável, amor descartável, amizades descartáveis, etc. Hoje se passa dos 12 para os 30 anos e diz a máxima: “não confie em ninguém com mais de 30.” É quando o Homus-idealista se torna o Homus-financista, assim como os comunistas se tornam economistas, quando ganham dinheiro.
A juventude faz falta à humanidade, assim como Lennon faz falta à juventude. Ele era chato mas fundamental. E o terrível é que ninguém tentou, nem tenta fazer o papel de Lennon. Não como músico genial, mas pelo menos como alguém que utilizasse a fama para algo útil e importante para todos.
No Brasil, depois do nosso Woodstock tupiniquim na década de 70, nossos principais movimentos juvenis foram: Lambada, Sertanojo, Axé, Pagode, Emo, etc. Esses arrastaram e arrastam milhões dos nossos jovens, o futuro da nossa nação. E dá-lhe Tiriricas no Congresso, e o que é pior, Sarneys, Collors e um bando de velhos corruptos, tapados e burros. Enquanto a nossa juventude ri e aplaude como um chimpanzé. É isso aí: 99,9% de diversão nas almas e zero preocupação, afinal de contas, nosso país é uma maravilha, não existe mais violências nem injustiças...
Então é isso que eu quero dizer: Precisamos de um Lennon na música, um Lennon na juventude, um Lennon nos EUA, um Lennon no Brasil, um Lennon no mundo, urgentemente. Enquanto ele não chega, vamos ouvir e tentar traduzir as letras do velho Lennon de 70 anos...
OCUPAÇÕES DE FAVELAS
Sabemos que não quiseram lançar o filme Tropa de Elite 2 (ou não puderam) antes das eleições do ano passado. Sabemos também que logo após o lançamento do filme houve aquela mega-operação no Complexo do Alemão no Rio.
Na verdade, essa "verdade" do título é tão incrível e parece tanto ficção, que prefiro chamá-la de versão dos fatos na ótica do livro/filme Tropa de Elite 2, que quem não assistiu e mesmo quem já assistiu, assistam e relembrem da seguinte forma:
- O governador financiado pelas milícias seria o próprio Sérgio Cabral.
- No filme, o roubo das armas feito pelas milícias para justificar a invasão e controle de um morro se equivaleria aos incêndios de carros atribuídos aos traficantes que justificaram a mega-operação e o controle no Alemão.
Vamos aos fatos:
- O livro foi escrito por um ex-subsecretário de segurança do Rio e da Secretaria de Segurança Nacional, por um delegado que efetuou 400 prisões de milicianos e por dois agentes do BOPE.
- O livro diz que o tráfico de drogas no Rio sempre foi subsidiado pela polícia carioca, que cobrava propina das bocas de fumo e vendia armas para traficantes. Segundo o livro, qualquer taxista, turista, todo mundo sempre soube onde ficavam as bocas de fumo e a polícia nunca acabou com elas, porque delas vinham o segundo salário dos policiais. Prova disso é que o Rio tem o segundo pior salário de policial do Brasil, e eles nunca fizeram greve ou abandonaram seus empregos.
- Segundo o livro, um dia a polícia que tinha poder irrestrito dentro das favelas percebeu que ao invés de cobrar parte do dinheiro do tráfico, ela poderia explorar vários outros negócios dentro da favela e o dinheiro do tráfico tornou-se uma fonte menor. Então surgiu o crime verdadeiramente organizado no Rio. Assim, passaram a controlar a venda de gás, de mercearias, gatos da energia elétrica e de água, condomínios de conjuntos habitacionais, financeiras, segurança para comerciantes, etc. Um negócio bilionário que elegeu vereadores, deputados e quiçá governadores.
- O livro cita um fato que se deu em um conjunto habitacional da caixa econômica, em que depois de financiados os apartamentos aos moradores, a milícia com toda uma estrutura burocrática paralela é que estava recebendo as prestações dos imóveis, além de administrar os condomínios. A Caixa entrou com uma ação para reaver os imóveis e a milícia em nome dos moradores acionou a Defensoria Pública para impedir que fossem expulsos.
- A milícia é interessante à polícia, ao governo, à classe média, ao turismo, aos meios de comunicação, enfim, à todo mundo, menos ao favelado explorado por ela. E por quê? Por que funciona como uma eficiente polícia privatizada. As milícias são organizadas e as regiões controladas são divididas já oficialmente de acordo com a jurisdição de cada delegacia. Então dificilmente haverá briga entre elas. A atuação das milícias é silenciosa e invísivel. Não se houve tiro, não se sabe de mortes, a classe média ou o turismo não são incomodados, há um controle policial dentro das próprias favelas o que diminui a ação de delinquentes. O governo não precisa aumentar o orçamento da segurança e políticos são eleitos com dinheiro da milícia. Aos poucos vão tomando o controle dos morros das mãos de traficantes, como talvez tenha ocorrido no Alemão.
- Enfim, a milícia agrada à todo mundo e parece ser a solução definitiva para o problema do crime. Só quem sofre são os favelados que pagam esse imposto direto a ela e ficaram reféns, ( e quem está aí para favelado?) mas talvez a maioria deles prefira ela à violência dos traficantes desorganizados. As UPP´S, por exemplo, garantem a ordem dentro da favela. Não seriam UPM´S: Unidades Permanentes da Milícia.
- A Milícia parece ser invencível, porque é invisível e silenciosa, está em todo lugar e em nenhum ao mesmo tempo. Como se invade a Milícia? Onde fica a Milícia? Quem são os milicianos? Como no filme já se prendeu mais de quinhentos milicianos e como no filme, imediatamente foram substituídos por outros "policiais".
- Mas a Milícia não é tão ruim? Só o futuro poderá dizer... Sabe-se que ela elege vereadores, deputados e governadores para defender o interesse dela: Tomar o controle dos morros dos traficantes para si. E que governantes serão esses? Serão bons?
- Mas o mais importante é tentarmos visualizar a situação numa dimensão maior, quando a Milícia tiver dominado todos os morros cariocas... Como será a cidade? Os favelados nunca se revoltarão? Os miseráveis continuarão aumentando, sem a população mais rica pagar um preço?
PS: - Já há ocorrências de milicianos em São Paulo, segundo Luiz Eduardo, um dos autores do livro.
- Pelo que foi divulgado até agora, não parece que os viciados do Rio tem reclamado da falta de drogas no mercado...
terça-feira, 1 de novembro de 2011
GRAÇAS A DOM ENZO!
Dom Enzo é daquelas pessoas, que se cruza seu caminho, muda-o para sempre. E digo "é" no presente, porque Dom Enzo sempre se fará presente, sempre estará presente, senão nas lembranças de quem o conheceu, mas nas nossas consciências que ele despertou um dia e modificou para sempre.
E para mim, aos 14 anos, Dom Enzo foi um "despertar" em vários aspectos. Menino araçuiense que era, vindo ainda de um mundinho de brincadeiras-escola-televisão, Dom Enzo me apresentou vários outros mundos e ampliou minha percepção da vida: Foi meu Mestre e me iniciou na teologia, metafísica, política, em raciocínios mais profundos, mas principalmente, no amor ao próximo e na solidariedade ativa a quem precisa. Nos retiros espirituais que promovia, reafirmei minha personalidade introspectiva, onde descobri que eu podia encontrar Deus mais facilmente de maneira solitária, contemplativa, meditativa e filosófica. Mas que para ajudar o próximo, eu tinha de deixar de ser egocêntrico, ser prático, técnico, pró-ativo e criativo. Digo que Dom Enzo me deu régua e compasso espirituais, para que eu pudesse traçar meu próprio caminho na vida, sem me perder ou me deixar levar por hipocrisias demagógicas, modismos religiosos, ideologias sectárias, fanatismos oportunistas, mesmo nos momentos de maior sofrimento, desespero e solidão.
E eu pude desfrutar disso, justamente no momento de transição do menino para o homem, no momento em que eu mais precisava disso, no momento em que eu mais precisei de um pai, quando meu pai mais me faltou por causa de uma doença. Dom Enzo proporciou a mim e a tantos outros uma alternativa de Ser, um exemplo de homem que poderíamos ser no futuro, um exemplo a perseguir.
E talvez seja esse exemplo que eu persiga até hoje, consciente ou inconscientemente. Essa minha busca incessante pela sabedoria, mas ao mesmo tempo, mantendo o espírito jovem, essa minha eterna indignação social, sem dúvida é coisa de Dom Enzo, é graça de Dom Enzo.
É graça do Doutor poliglota de cabelos brancos e de batina que andava de moto e ainda por cima, soltava as mãos. É graça do Bispo cheio de responsabilidades e de preocupações sociais, mas brincalhão e sorridente.
São árquetipos e ideais que instintivamente venho perseguindo vida afora. E se hoje trabalho num Órgão, onde tento fazer minha parte na luta contra a corrupção no nosso país, e se tantos outros alunos e amigos seguiram aqueles ideais, isso também foi graças a Dom Enzo. Essa sementinha da busca da justiça social foi plantada por ele em nossas consciências, lá nos tempos da Hagrope, assim como plantou em nossos corações o amor pelos humildes e a valorização do nosso povo do Vale. E isso é indestrutível, não morrerá nunca, por isso Dom Enzo continuará vivendo em quem o conheceu.
Lembro de que numa palestra de quatro horas, onde o Doutor em matemática, conseguia nos provar a existência de Deus por meio desta ciência, da física e principalmente da emoção, cheguei ao fim daquela lição profunda com os olhos cheios de lágrimas e decidido a entrar para o sacerdócio. Lembro que fui celibatário dos 14 aos 18 anos, não por exigência, mas como consequência do que eu acreditava, o amor e respeito ao próximo, e o que podia ser uma carga pesada para um adolescente, para mim foi leve e transcendental, me trazendo grande felicidade. Então, espiritualmente, eu estava encaminhado para ser um instrumento de Deus na Terra e só não pude fazê-lo por conta da situação do meu pai e da minha família, que requeria que eu trabalhasse para ajudar sustentá-la. Mas de certa maneira, sempre procurei exercer essa vocação, esse livre sacerdócio, por meio dos "sermões" que escrevo, sem solicitar ou induzir ninguém a lê-los. Enfim...
Nesse momento, também não poderia deixar de lembrar daquele que, tantas vezes na Hagrope e nas nossas vidas, foi os braços, os olhos, a voz e a força de Dom Enzo: O saudoso amigo João Pizzini, com quem ele foi se reencontrar...
Nesse momento, também não poderia deixar de lembrar daquele que, tantas vezes na Hagrope e nas nossas vidas, foi os braços, os olhos, a voz e a força de Dom Enzo: O saudoso amigo João Pizzini, com quem ele foi se reencontrar...
Dom Enzo dizia "não pergunte o que farei com a matemática. Antes espere e verá, o que a matemática fará de você". Hoje eu diria: Esperei, vivi e vejo o que Dom Enzo fez de mim, fez de nós, que tivemos o privilégio único de desfrutar de sua companhia, sabedoria e do seu amor. Fez de nós seres mais humanos, mais inteligentes, mais dignos, mais justos, mais profundos, mais livres, mais esperançosos e menos materialistas.
Por isso que eu digo: Graças a Dom Enzo! Que ele viva sempre em nós!
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
MESMO QUE SEJA PIEGAS...
Se você continua sendo uma pessoa solidária em meio a pessoas frias e egoístas, mesmo que isso tenha te tornado um solitário, e te faça sentir que vive errado.
Se você continua sendo um ser humano justo em um ambiente de relações injustas, mesmo que isso te faça sentir oprimido e te faça querer fugir de tudo.
Se você continua tratando todos com respeito e igualdade, mesmo que te tratem com desrespeito e desonestidade, e isso te faça sentir um idiota.
Se você continua lembrando e valorizando pessoas que passaram, mesmo que todos esqueçam de você, e isso te faça sentir deprimido.
Se você continua acreditando e praticando seus valores mais éticos, mesmo que ninguém mais pratique e isso te faça sentir irritado.
Se você continua tentando se aproximar e amar o próximo, mesmo que todos sejam indiferentes e isso te faça sentir isolado na vida.
Se você continua sendo uma pessoa sincera e verdadeira, mesmo que todos sejam hipócritas, materialistas e interesseiros, e isso te faça desacreditar no ser-humano.
Se você continua insistindo e lutando contra todo esse estado de coisas, mesmo que todos te tratem com estranheza e indiferença, e isso te faça desacreditar da própria vida e sofrer.
Mesmo que você continue sofrendo... Continue e acredite em você! Você já venceu todos eles, caramba!
FELICIDADE NÃO É RISADA
No Brasil, equivocadamente, as pessoas costumam confundir felicidade com malandragem, com estar rindo o tempo todo, se divertindo o tempo todo, ser descolado, não ter comprometimento com nada, ter poucas responsabilidades, trabalhar pouco ganhando muito, pensar só em si, não se aborrecer nunca, etc. É preciso que se diga que existem outras formas de felicidades, mais sérias, mais profundas, mais intensas e por isso mais estáveis, e humanamente mais interessantes do que aquelas outras...
DA COMUNICAÇÃO
Estar morto é não comunicar a sua essência. Ser intensamente vivo é expressar sua essência por ações, criações e realizações. Pensar, comunicar e agir, apenas repetindo vulgaridades, superficialidades é estar semi-morto como um zumbi, um morto-vivo. Estes são apenas cadáveres adiados que procriam. Em 80 anos, nem seus netos se lembrarão que existiram, o que sentiram, o que viveram, o que foram, enfim... Se uma geração passa e não entra na história, se um homem vive e nada constrói e não deixa memória, eles não existiram...
ADMIRÁVEL GADO NOVO
"Os homens do gado-novo são criaturas débeis ideologicamente e covardes moralmente, que não podem suportar a liberdade de pensar por si mesmos e temem a verdade da condição humana, e por isso deixam-se ser dominados historicamente e enganados sistematicamente, por indíviduos e grupos mais fortes psicologicamente do que eles. Acham que liberdade e felicidade são incompatíveis."
DA SOLIDARIEDADE (SOMENTE) NAS TRAGÉDIAS
O mineiro só é solidário no câncer. (Nelson Rodrigues)
O paulista só é solidário no atropelamento. (Wilson Rodrigues)
O carioca só é solidário no desabamento. (Dilson Rodrigues)
O baiano só é solidário na enchente. (Aílson Rodrigues)
O gaúcho só é solidário no vendaval. (Nílson Rodrigues)
O cearense só é solidário na seca. (Oílson Rodrigues)
“O que eu tenho com Oílson?”
Que qué Wilson?! O que nos levou Aílson? Vamos pensar Nilson! Deixa Dílson e vamos Nelson!! Todos vocês não são irmãos, por parte de Crilston?!
BRASIL, CONSEQUÊNCIA DOS BRASILEIROS
"Nós somos a consequência do que pensamos". Essa frase de Buda pode parecer óbvia, mas se a reescrevermos para "O Brasil é a consequência do pensamento dos brasileiros", aí ela já nos diz mais. O Brasil é um povo de contrastes (grandes riquezas, grandes pobrezas) porque a forma de pensar do brasileiro é intrinsecamente contraditória. O brasileiro, e consequentemente a sua forma de pensar, nasceram num ambiente social e cultural em que as pessoas eram cristãos fervorosos, mas tinham uma prática anti-cristã. Assim, concilaram essas contradições em suas mentes, com o aval da igreja, durante cinco séculos, queimando infiéis em nome de Deus, dizimando índios em nome de Jesus, escravizando africanos para a glória do Estado Católico, e mais tarde, com os coronelismos escravizando e matando sertanejos, enquanto reformavam e construíam igrejas. Tudo isso moldou o pensamento do brasileiro do século XX. Com a industrialização do país e evolução do direito, as ricas famílias cristãs adaptaram-se à modernidade, criando novas formas mais sutis de exploração, contra todo e qualquer preceito cristão ou bíblico no qual acreditavam. Quem não se lembra da católica e puritana família Marinho que enriqueceu apoiando a ditadura e que hoje propagandeia a perversão sexual e moral em seus programas? Quem não se lembra de Antônio Carlos Magalhães e outros Sarneys, católicos fervorosos, que praticavam tantas "malvadezas" na política e fora dela? Esses são exemplos extremos, mas o pensamento do brasileiro foi formatado por essa lógica, um tanto ilógica... Continuamos sendo um país cristão, mas de práticas totalmente anti-cristãs. Acreditamos em uma coisa e praticamos outra. Somos egoístas, sovinas, individualistas, materialistas, pouco solidários, insensíveis, e até cruéis em relação aos mais carentes, numa prática contrária ao que prega o Cristianismo, ou seja, praticamos o anti-cristianismo. Portanto, o anticristo somos nós. Mas acreditamos em Jesus e que nosso lugar está garantido ao seu lado, quando morrermos... Mas vendo o que o Cristo pregava e o que ele praticava, será que ele nos quereria ao seu lado? Seu mandamento é "amai-vos uns aos outros" e nós, brasileiros, mal nos suportamos uns aos outros... Mas não confundir tudo isso com a famosa hipocrisia, que é um processo consciente de psicopatas sociais tentando atingir algum fim. O mais grave é que essa forma de pensamento contraditório, que concilia crenças, conceitos e práticas totalmente opostos, é um processo inconsciente. A pessoa o pratica automaticamente, sem perceber e nunca se dá conta o quanto ruim ela pode estar sendo na vida, enquanto se julga um bom ser humano. Por isso temos pessoas na nossa nação que vivem no paraíso e outras que estão no próprio inferno... "Na balança social brasileira, de um lado está uma parcela gozando de bem estar material e psicológico, enquanto na outra ponta está um peso humano formado por crianças miseráveis que serão assassinadas entre os 16 e 25 anos, conforme predizem as estatísticas, formando o nefasto equílibrio da nossa sociedade. Entre essas duas pontas, está uma complexa cadeia de causas e efeitos, da qual somos participantes, que mantêm esses dois extremos interligados e mutuamente interdependentes. Desde a economia escravocrata que é assim... Mas, até quando?!" A solução? Vigilância do que pensamos e de como agimos, com a prática sistemática daquilo que pensamos acreditar. Ou então assumindo que não somos cristãos, que acreditamos que o homem é o lobo do homem, que o mundo é dos mais fortes e que na evolução da espécie só os mais capazes devem sobreviver, tal qual pensavam os nazistas. Pelos menos seríamos um povo sincero... |
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