Depois viria o esquema das privatizações, em que banqueiros como Daniel Dantas eram avisados com antecedência e compravam ações das estatais, via banco Icatu, por ex. Também o dinheiro para as compras bilionárias era emprestado pelo BNDES e fundos de Pensões como Previ, e as dívidas saldadas rapidamente com os lucros dos exercícios vindouros de empresas como Vale do Rio Doce.
A Polícia Federal prendeu de forma temporária, no dia 8 de julho de 2008, o banqueiro Daniel Dantas e o empresário Naji Nahas na operação denominada Satiagraha que começou a investigar desdobramentos do caso mensalão, mas que se estendeu a fatos anteriores ao governo Lula, iniciando-se na época da privatização do sistema Telebrás. O resultado prático dessa operação foi o afastamento, determinado pela cúpula da Polícia Federal, dos três delegados incumbidos das investigações e a instauração de inquérito administrativo contra o juiz Fausto de Sanctis por ordem do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Em novembro de 2010, o delegado Protógenes Queiroz, por sua atuação na Satiagraha, foi condenado a três anos e quatro meses de prisão pelos crimes de violação de sigilo funcional e fraude processual. O Ministério Público entendeu também que ele deve responder pelos crimes de prevaricação e corrupção passiva. Hoje isso equivaleria a aplicar as mesmas pensa aos delegados da Operação Lava Jato e ao Juiz Sérgio Moro...
Na mesma esteira de roubalheiras envolvendo banqueiros, o próprio presidente do Banco Central de FHC e seus diretores foram condenados a 10 anos de prisão e a pagar 5 bilhões de reais (pouco noticiado pela mídia) pelo esquema com o banqueiro Salvatore Cacciola (http://www1.folha.uol.com.br/ mercado/2015/08/1664893-ex- diretores-do-bc-sao- condenados-a-pagar-quase-r-5- bilhoes.shtml), valores equivalentes ao Petrolão.
Mas a forma mais eficiente de roubo que não deixou rastros foi através do aumento da taxa real de juros (banqueiros se entupiam de títulos do tesouro atrelados à Selic) e o presidente do BC elevava-a a níveis estratosféricos. No governo Fernando Henrique foram realizadas 79 reuniões do COPOM. A taxa de juros foi de 23,28% na 1ª reunião, em 26/06/1996; máxima atingida de 45%, na 33ª reunião, em 04/03/2009, na gestão de Armínio Fraga, chegando o pagamento de juros a 13% do PIB; mínima de 15,25%, na 55ª reunião, em 14/02/2001; e fechamento do governo com taxa Selic a 25,00%, na 79ª reunião, em 18/12/2002.
Tudo indica que voltaremos a essa "política" ou esquema que financiará campanhas milionárias e seus corruptos, sem deixar rastros, sem polícia federal, sem ministério público, sem mídia...