quinta-feira, 12 de maio de 2016

SAI EMPREITEIROS, VOLTAM BANQUEIROS

A nomeação de Henrique Meireles (dono do Banco Original, recém fundado) para a Fazenda e do Economista-Chefe do Itaú para o Banco Central sinaliza que vai voltar o Esquema de financiamento de campanhas via banqueiros, utilizado na era FHC. Quem duvida basta lembrar que a maioria dos escândalos daquele governo foram ligados aos Banqueiros, a começar pelo Proer, que distribuiu cerca de U$30 bilhões de dólares pra 7 bancos, já que muitos banqueiros como do Econômico e do Nacional , haviam desviado dinheiro dos correntistas para paraísos fiscais e alegavam quebra devido ao Plano Real.  Na época, sete instituições tiveram acesso às linhas de financiamento do programa: Banco Nacional, Banco Econômico, Bamerindus, Mercantil, Banorte, Pontual e Crefisul. Foi instalada a CPI do Proer mas o governo foi inocentado.

Depois viria o esquema das privatizações, em que banqueiros como Daniel Dantas  eram avisados com antecedência e compravam ações das estatais, via banco Icatu, por ex. Também o dinheiro para as compras bilionárias era emprestado pelo BNDES e fundos de Pensões como Previ, e as dívidas saldadas rapidamente com os lucros dos exercícios vindouros de empresas como Vale do Rio Doce.

A Polícia Federal prendeu de forma temporária, no dia 8 de julho de 2008, o banqueiro Daniel Dantas e o empresário Naji Nahas na operação denominada Satiagraha  que começou a investigar desdobramentos do caso mensalão, mas que se estendeu a fatos anteriores ao governo Lula, iniciando-se na época da privatização do sistema Telebrás. O resultado prático dessa operação foi o afastamento, determinado pela cúpula da Polícia Federal, dos três delegados incumbidos das investigações e a instauração de inquérito administrativo contra o juiz Fausto de Sanctis por ordem do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Em novembro de 2010, o delegado Protógenes Queiroz, por sua atuação na Satiagraha, foi condenado a três anos e quatro meses de prisão pelos crimes de violação de sigilo funcional e fraude processual. O Ministério Público entendeu também que ele deve responder pelos crimes de prevaricação e corrupção passiva. Hoje isso equivaleria a aplicar as mesmas pensa aos delegados da Operação Lava Jato e ao Juiz Sérgio Moro...

Na mesma esteira de roubalheiras envolvendo banqueiros, o próprio presidente do Banco Central de FHC e seus diretores foram condenados a 10 anos de prisão e a pagar 5 bilhões de reais (pouco noticiado pela mídia) pelo esquema com  o banqueiro Salvatore Cacciola (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/08/1664893-ex-diretores-do-bc-sao-condenados-a-pagar-quase-r-5-bilhoes.shtml), valores equivalentes ao Petrolão.

Mas a forma mais eficiente de roubo que não deixou rastros foi através do aumento da taxa real de juros (banqueiros se entupiam de títulos do tesouro atrelados à Selic) e o presidente do BC elevava-a a níveis estratosféricos. No governo Fernando Henrique foram realizadas 79 reuniões do COPOM. A taxa de juros foi de  23,28% na 1ª reunião, em 26/06/1996; máxima atingida de 45%, na 33ª reunião, em 04/03/2009, na gestão de Armínio Fraga, chegando o pagamento de juros a 13% do PIB; mínima de 15,25%, na 55ª reunião, em 14/02/2001; e fechamento do governo com taxa Selic a 25,00%, na 79ª reunião, em 18/12/2002.

Tudo indica que voltaremos a essa "política" ou esquema que financiará campanhas milionárias e seus corruptos, sem deixar rastros, sem polícia federal, sem ministério público, sem mídia...