segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A INDÚSTRIA DO ESQUECIMENTO

Vou direto ao ponto, Indústria do Esquecimento é a mesma coisa que a Indústria do Entreterimento e já já explico... A mídia trabalha o tempo todo para que esqueçamos dos nossos e de nós mesmos (não intencionalmente, quero crer...) 

Alguém pode se julgar com memória afetiva nesse país, eu pergunto...  Absolutamente não! - Eu mesmo respondo. 

Minto, minto. Dona Sebastiana que tem sua a vida inteira encravada no sertão profundo do Piauí... Ela se lembra diariamente do filho que foi para Brasília, se lembra dos seus finados, os vizinhos, da sua infância, de si mesmo, em suma, do essencial, o resto é besteira, é entreterimento, é distração...

E é aí que eu queria chegar... Somos uma multidão de entretidos, distraídos, ou seja, alienados da lembrança afetiva... A enxurrada de informação, entreterimentos e outros besteróis atrofiou nossa memória, amputou parte de nosso sentimento. Somos uns aleijados do sentimento... Não lembramos aqueles que fizeram  parte de nossas vidas, e como recordar é viver, não recordamos, não vivemos essas pessoas que um dia foram importantes na nossa construção existencial, e por isso, fazem parte nós...

E acrescento, em tempo, não esquecemos só nossos mortos, esquecemos a maioria dos nossos vivos... Seja pela distância, que os coloca nos porões da nossa memória, de onde os retiramos somente nas datas de aniversário e no natal, através de um telefonema ou uma visita de uma vez por ano...

Mas há pior, há pior. Com o incremento e aumento da extensão e tempo das distrações eletrônicas, estamos habituando-nos a esquecer até de quem está próximo. No trabalho, esquecemos dos colegas ao lado, concentrados no nosso celular, na internet e no próprio trabalho...  Em casa, tem aqueles que se trancam literalmente no quarto: filhos esquecem os pais, irmãos esquecem irmãos e vice-versa. Mas nem precisava a clausura física, tão trancados estão em realidades virtuais, paraísos artificiais, vícios solitários, e outras  drogas eletrônicas... 

Às vezes, muito ocasionalmente, humanos que são, quando param pra respirar, sentem um vazio existencial, um vazio emocional, vazio afetivo... E o que fazem para prenchê-lo, buscam um irmão, um pai, uma mão, um amigo para abraçar e desabafar? Não, não. Buscam o desabafo virtual e tentam afogar e esquecer o sofrimento nas próprias redes eletrônicas, onde estão presos e se debatem como peixes naquela rede...

Mas não é isso que eu queria dizer, ou por outra, é mais ou menos. O que eu queria dizer é que esquecendo quem fez parte de nossa vida, quem faz parte dela, quem está realmente próximo de nós, estamos esquecidos do essencial e de nós mesmos! E chegará um ponto, que esse esquecimento diário e cumulativo se transformará em uma amnésia integral de nós mesmos... Se é que já não c(h)egou...

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