Sabemos que não quiseram lançar o filme Tropa de Elite 2 (ou não puderam) antes das eleições do ano passado. Sabemos também que logo após o lançamento do filme houve aquela mega-operação no Complexo do Alemão no Rio.
Na verdade, essa "verdade" do título é tão incrível e parece tanto ficção, que prefiro chamá-la de versão dos fatos na ótica do livro/filme Tropa de Elite 2, que quem não assistiu e mesmo quem já assistiu, assistam e relembrem da seguinte forma:
- O governador financiado pelas milícias seria o próprio Sérgio Cabral.
- No filme, o roubo das armas feito pelas milícias para justificar a invasão e controle de um morro se equivaleria aos incêndios de carros atribuídos aos traficantes que justificaram a mega-operação e o controle no Alemão.
Vamos aos fatos:
- O livro foi escrito por um ex-subsecretário de segurança do Rio e da Secretaria de Segurança Nacional, por um delegado que efetuou 400 prisões de milicianos e por dois agentes do BOPE.
- O livro diz que o tráfico de drogas no Rio sempre foi subsidiado pela polícia carioca, que cobrava propina das bocas de fumo e vendia armas para traficantes. Segundo o livro, qualquer taxista, turista, todo mundo sempre soube onde ficavam as bocas de fumo e a polícia nunca acabou com elas, porque delas vinham o segundo salário dos policiais. Prova disso é que o Rio tem o segundo pior salário de policial do Brasil, e eles nunca fizeram greve ou abandonaram seus empregos.
- Segundo o livro, um dia a polícia que tinha poder irrestrito dentro das favelas percebeu que ao invés de cobrar parte do dinheiro do tráfico, ela poderia explorar vários outros negócios dentro da favela e o dinheiro do tráfico tornou-se uma fonte menor. Então surgiu o crime verdadeiramente organizado no Rio. Assim, passaram a controlar a venda de gás, de mercearias, gatos da energia elétrica e de água, condomínios de conjuntos habitacionais, financeiras, segurança para comerciantes, etc. Um negócio bilionário que elegeu vereadores, deputados e quiçá governadores.
- O livro cita um fato que se deu em um conjunto habitacional da caixa econômica, em que depois de financiados os apartamentos aos moradores, a milícia com toda uma estrutura burocrática paralela é que estava recebendo as prestações dos imóveis, além de administrar os condomínios. A Caixa entrou com uma ação para reaver os imóveis e a milícia em nome dos moradores acionou a Defensoria Pública para impedir que fossem expulsos.
- A milícia é interessante à polícia, ao governo, à classe média, ao turismo, aos meios de comunicação, enfim, à todo mundo, menos ao favelado explorado por ela. E por quê? Por que funciona como uma eficiente polícia privatizada. As milícias são organizadas e as regiões controladas são divididas já oficialmente de acordo com a jurisdição de cada delegacia. Então dificilmente haverá briga entre elas. A atuação das milícias é silenciosa e invísivel. Não se houve tiro, não se sabe de mortes, a classe média ou o turismo não são incomodados, há um controle policial dentro das próprias favelas o que diminui a ação de delinquentes. O governo não precisa aumentar o orçamento da segurança e políticos são eleitos com dinheiro da milícia. Aos poucos vão tomando o controle dos morros das mãos de traficantes, como talvez tenha ocorrido no Alemão.
- Enfim, a milícia agrada à todo mundo e parece ser a solução definitiva para o problema do crime. Só quem sofre são os favelados que pagam esse imposto direto a ela e ficaram reféns, ( e quem está aí para favelado?) mas talvez a maioria deles prefira ela à violência dos traficantes desorganizados. As UPP´S, por exemplo, garantem a ordem dentro da favela. Não seriam UPM´S: Unidades Permanentes da Milícia.
- A Milícia parece ser invencível, porque é invisível e silenciosa, está em todo lugar e em nenhum ao mesmo tempo. Como se invade a Milícia? Onde fica a Milícia? Quem são os milicianos? Como no filme já se prendeu mais de quinhentos milicianos e como no filme, imediatamente foram substituídos por outros "policiais".
- Mas a Milícia não é tão ruim? Só o futuro poderá dizer... Sabe-se que ela elege vereadores, deputados e governadores para defender o interesse dela: Tomar o controle dos morros dos traficantes para si. E que governantes serão esses? Serão bons?
- Mas o mais importante é tentarmos visualizar a situação numa dimensão maior, quando a Milícia tiver dominado todos os morros cariocas... Como será a cidade? Os favelados nunca se revoltarão? Os miseráveis continuarão aumentando, sem a população mais rica pagar um preço?
PS: - Já há ocorrências de milicianos em São Paulo, segundo Luiz Eduardo, um dos autores do livro.
- Pelo que foi divulgado até agora, não parece que os viciados do Rio tem reclamado da falta de drogas no mercado...

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