segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A ERA DAS POSES E DAS POSSES

A ERA DAS POSES

 
Disse Denis Diderot,: "Méfiez-vous de celui qui veut rétablir l'ordre". Cito-o aqui primeiro porque é um ícone da Revolução Francesa, com a qual começou uma nova forma de organização social, que infelizmente, foi desvirtuada e chegamos onde chegamos. Segundo, porque a sua frase pede para que desconfiemos daqueles que queiram restaurar, impor uma ordem.
Hoje, talvez ele diria "Desconfiem daqueles que posam de moralistas". Aliás, ele deve ter pensado isso naquela época mesmo, já que alguns arautos da Revolução, ao tomarem o poder, fizeram justamente o contrário do lema "liberdade, igualdade e fraternidade". Robespierre, por exemplo, disse "a França não precisa de mais juízes, precisa de mais guilhotinas", e guilhotinou tantas pessoas, que acabou guilhotinado.
 
De lá pra cá, essa estratégia de pregar determinada moral, ética e ideologia para chegar ao poder e depois praticar o contrário virou moda entre aqueles que na verdade só queriam o poder pelo poder e para poder. Napoleão veio logo em seguida. E assim por diante, vários líderes, mao-tsé´s, stalins, fidéis, etc. As palavras "liberdade, igualdade e fraternidade" ficaram tanto tempo na boca de quem praticava "ditadura, privilégios, e assassinatos" que quem pregava ou prega sistemas baseados naquela trilogia ficou sendo visto de sonhador a retrógado, de maluco a subversivo, etc.
 
No Brasil, não foi diferente. Mas até hoje as surradas "liberdade, igualdade e fraternidade" continuam nas bocas de quem pratica o contrário, de quem utiliza-as da boca pra fora, apenas como propaganda para chegar ao poder. De quem só quer o poder pelo poder, enfim. Não vou citar os exemplos atuais na política. Deixo a vocês o exercício de desconfiarem e identificá-los.
 
E não pensem que temos esse "hipócrita way of life" apenas na política. Ele permeia toda a sociedade: Nas relações no trabalho, nas famílias, etc. Vemos eméritos doutrinadores do direito, praticarem o contrário de sua doutrina, ao defenderem os bandidos mais ricos e poderosos do país. Ninguém pensa duas vezes ao aceitar alguns mil-trocados para rasgar tudo o que escreveu durante a vida, e paralelamente e hipocritamente continuar posando de arauto da ética, da moral e da verdade. Mas temos um veículo em especial que além de exercer essa hipocrisia, faz a terrível função de legitimá-la e disseminá-la: Os meios de comunicação.
 
Não vou citar os exemplos mais óbvios. Mas aqueles que são mais difíceis de desconfiar.
Tomemos esse programa CQC. Uma garotada liderada pelo primeiro repórter "engraçadinho" da tevê (Marcelo Tas), que aliás posa de garotão. Viveu até então fazendo programas educativos na TV Cultura, inclusive para crianças, e em outros canais de baixa audiência, parecendo um bom moço, sempre ao lado da verdade e da ética. Mas foi só o "money" entrar em cena... E o que ele faz hoje? Lidera uma turminha irada que saiu atropelando tudo e a todos que encontra, apontando seu dedinho ético, irônico e engraçadinho e escrachando-os. Um brasileiro típico joga um papel de bala na rua. Atrás dele está uma câmera e um repórter ético-engraçadinho acusando-o, julgando-o e condenando-o num mini e acelerado tribunal com transmissão para todo o Brasil: "Porco! Canalha! Sujo! É você que causa as enchentes nas grandes cidades!" É claro, que não dizem nessa forma explícita, mas de maneira irônica, inteligente... Depois um outro repórter disfarçado deixa cair uma nota de 50 reais na rua, na frente de outro brasileiro típico. O cidadão apanha, não devolve e o repórter sai correndo atrás dele: Acusando-o, julgando-o e condenando-o diante de todo o Brasil.
 
Não estou defendendo este tipo de gente. É importante termos nos meios de comunicação de massa, programas que apontem nossas chagas, enfiem o dedo em nossas feridas. Mas que isso seja feito por comunicadores que enfiem o dedo também nas próprias feridas. Mas não, eles não fazem isso. Ao contrário, posam de éticos, bem-humorados, bons moços e inteligentes. Enquanto isso, constroem fortuna, utilizando essa imagem para vender, por exemplo, bebidas alcoólicas para os incautos. Aparecem como jovens descolados, inteligentes, críticos e responsáveis sorrindo e sorvendo latinhas e garrafinhas de alcóol. Fazem uma reportagem chocante sobre os viciados em crack, mas não divulgam que a bebida alcóolica causa mais mortes, mais aleijados, mais viciados, destrói mais pessoas e famílias no Brasil, que qualquer outra droga. E não tenham dúvidas que se propaganda de cigarro fosse permitida, estariam eles elegantemente dando suas baforadas nos comerciais.
 
Pela visão do CQC todos os quinhentos e tantos deputados federais e senadores e todos os prefeitos e governadores do país são bandidos e safados. Não há ninguém que salve e que possa fazer uma lei que preste. Então vamos eleger os famosos da TV. Vamos eleger Tiririca, Romário, Frank Aguiar, Danrley goleiro, Stepan da Globo, Jean Willlys Big Brother, Mirian Rios, Bebeto Tetra, Popó, Marques do Galo (todos eleitos) , além de Vampeta, Batoré, Reginaldo Rossi, Agnaldo Timóteo, Renner da dupla sertaneja para senador, Kiko e Leandro do KLB, Moacir Franco, Waguinho pagodeiro e Netinho pagodeiro para Senadores (quase eleitos), sem contar as popozudas do funk e outros com pior desempenho nas urnas.
 
Perceberam o perigo? Se todo político é bandido em quem vamos votar? Em quem confiar? No pessoal da TV... ENTÃO LUCIANO HUCK PARA PRESIDENTE! E não sou eu quem está propondo, foi a própria mídia. Luciano Huck, o bonzinho, menino prodígio, marido e pai exemplar, ajuda os pobrezinhos na tevê, ao mesmo tempo que usa a mais velha estratégia de exploração sexual vulgar do corpo feminino para levantar o IBOPE. Enquanto isso dá-lhe comercial de cerveja, misturada com propaganda carros em alta velocidade...
 
A pergunta que faço é: a galera da Tevê é mais ética, é mais honesta, é melhor que a da política?
Volto à idéia inicial do texto: Desconfiem daqueles que posam de moralistas, seja na política, na tevê, nas igrejas, no trabalho, etc, etc.
 
Enfim, SANTOS NÃO APARECEM NA TV, a não ser o time do Santos, é claro...
 
Mas o que eu queria dizer mesmo (e não sei se disse ainda) é que precisamos sair dessa lógica do poder pelo poder, do dinheiro pelo dinheiro, da fama pela fama, do status pelo status, seja na política, na tevê, nas igrejas, no trabalho, na vida...
Chega de pose de éticos, pose de idealistas, de honestos, de amigos, etc. DESCONFIEM SEMPRE DESSES...
 
PRECISAMOS URGENTEMENTE DE ÉTICOS REAIS, IDEALISTAS VERDADEIROS, AMIGOS SINCEROS, GENTE BOA DE VERDADE... VAMOS PROCURÁ-LOS, QUEM ENCONTRAR ME AVISA!

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